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08/07/2009

Discoteca Básica Bizz#119: Steppenwolf - Steppenwolf (1968)


(Fernando Naporano, Bizz#119, junho de 1995)

Em sua autobiografia, John Kay diz: "
Estávamos encurralados numa sufocante imagem de uma banda de motoqueiros machões".

O estrondoso sucesso da canção "Bom to Be Wild", de certa forma, ofuscou a decisiva obra do quinteto Steppenwolf. Mas nunca é tarde pará redescobrir que, ladeando um tesouro musical - que se alinhou como um hino de escapismo de uma época que despontava a guerra do Vietnã, os assassinatos de John Kennedy e Martin Luther King, mais a ascensão de Richard Nixon -, residia um autêntico oceano de maestria.

Criado a partir das cinzas do Sparrow, grupo que de 1965 a 1967 vestiu o blues e o folk nas mais chapadas improvisações, o Steppenwolf era pilotado através da voz gutural de Kay (nascido em 1944 na cidade de Tilsit, na ex-Alemanha Oriental, e exilado no Canadá a partir de 1958). O grupo lançou 21 compactos, nove álbuns originais, um disco ao vivo e quatro compilações. De 1967 a 1972, eles gravaram álbuns prolíficos (como 7, de 1970), conceituais (For Ladies Only, de 1971) e políticos (Monster, de 1969). E de 1974 a 1976 registraram esquecidas pérolas (vide Slaw Flux, de 1974), mas nada tão contundente quanto o primeiro álbum - Kay depois diria que eles jamais conseguiram recuperar o raw sound daquele disco.

Pura verdade. A bateria de Jerry Edmonton, os teclados de Goldy McJohn, o baixo de Rushton Moreve e a guitarra de Michael Monarch, junto à garganta de ferro de Kay, profetizavam diretrizes para o heavy rock, enaltecendo e tranfigurando o blues e - como decór - se lançando numa psicodelia ocasional e cáustica.

À parte a imortal "Bom to Be Wild" (composição do ex-Sparrow Mars Bonfire, irmão de Jerry), haviam ainda recriações de clássicos ("Hoochie Coochie Man”, de Willie Dixon), resgate de gênios obscuros (“The Pusher”, controversa ode à maconha de Hoyt Axton), baladas existenciais (“Desperation”, que se transformou na mais brilhante cover do Humble Pie) e até pop psicodélico (“A Girl I Knew”).

Também foi neste álbum que Kay se afirmou como um real militante da contracultura. O meio-ambiente ("The Ostrich"), a liberdade ("Berry Rides Again") e o inconformismo ("Take What You Need") eram as pautas deste obstinado justiceiro que, mesmo na pior fase da sua vida - de 1980 a 1984, quando diversos impostores e ex-integrantes regurgitavam para se apropriar do nome do grupo -, defendeu a qualquer custo a sua imaculada concepção: um animal chamado Steppenwolf.


Faixas:
A1. Sookie Sookie - 3:17
A2. Everybody's Next One - 3:00
A3. Berry Rides Again - 2:52
A4. Hoochie Coochie Man - 5:15
A5. Born to Be Wild - 3:32
A6. Your Wall's Too High - 5:48

B1. Desperation - 5:47
B2. The Pusher - 5:52
B3. A Girl I Knew - 2:42
B4. Take What You Need - 3:31
B5. The Ostrich - 5:45

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